Reflexão: Liturgia do 15° Domingo do Tempo Comum, Ano A – 12/07/2026

10 de Julho de 2026

"Reflexão: Liturgia do 15° Domingo do Tempo Comum, Ano A – 12/07/2026"

“A SEMENTE É SEMPRE BOA. O PROBLEMA NÃO ESTÁ NELA, MAS NO TERRENO QUE A RECEBE” (Mt 13,1-23) 

O Evangelho deste domingo apresenta a conhecida parábola do semeador, uma das mais belas imagens utilizadas por Jesus para explicar o Reino de Deus. Ao observar a vida simples do povo, que dependia da agricultura para sobreviver, o Mestre revela uma verdade profunda sobre a ação de Deus e a resposta humana à Sua Palavra. 

A figura central da parábola é o semeador. Ele sai para lançar a semente sem economizar esforços. Algumas caem à beira do caminho, outras em terreno pedregoso, outras entre espinhos e outras, finalmente, em terra boa. O que chama a atenção é a generosidade do semeador. Ele não seleciona previamente onde semear; simplesmente espalha a semente por toda parte. Assim age Deus. Sua Palavra é oferecida a todos, sem distinção. Seu amor não faz acepção de pessoas e Sua graça alcança cada coração humano. 

A semente é sempre boa. O problema não está nela, mas no terreno que a recebe. Jesus explica que os diferentes solos representam as diversas disposições do coração humano diante da Palavra de Deus. Há aqueles que escutam, mas não compreendem; outros a acolhem com entusiasmo passageiro, mas desistem diante das dificuldades; outros permitem que as preocupações, as riquezas e os interesses do mundo sufoquem a mensagem recebida. Por fim, há aqueles que escutam, compreendem e perseveram, produzindo frutos abundantes. 

Ao ouvir esta parábola, somos convidados a evitar uma atitude comum: identificar imediatamente os outros em cada tipo de terreno. O Evangelho nos chama, antes de tudo, a olhar para nós mesmos. Que tipo de solo sou eu? Como tenho acolhido a Palavra de Deus em minha vida? Quantas vezes permitimos que a correria do cotidiano, as distrações constantes ou as preocupações excessivas impeçam a semente de criar raízes profundas? 

A terra boa não é um coração perfeito, mas um coração disponível. É aquele que se deixa cultivar por Deus, que aceita ser corrigido, que persevera na oração, na participação da vida da Igreja e na prática da caridade. O fruto não aparece de um dia para o outro; ele é resultado de um processo de crescimento, cuidado e fidelidade. 

Que esta Palavra desperte em nós o desejo de preparar melhor o terreno da nossa alma. Deus continua semeando com generosidade. Cabe a cada um acolher a semente do Evangelho, permitir que ela crie raízes profundas e produza frutos de santidade, justiça, amor e esperança para o bem de toda a comunidade. 


Diác. Eduardo Amaral Pompeo 

Diácono permanente da Arquidiocese de Maringá 

Paróquia Santo Antônio de Pádua, Maringá 


Reflexão do Evangelho publicada na Revista Maringá Missão Ed. 318. Julho/2026