“TODOS COMERAM E FICARAM SATISFEITOS.” (Mt 14,13-21)
A liturgia do primeiro final de semana de agosto, além de identificar os ensinamentos de Jesus Cristo, cuja ênfase é dada acerca do Evangelho, também nos possibilita olhar para o mês vocacional, que parte de um chamado feito pelo Senhor e respondido por nós à luz da Palavra que nos inspira. No primeiro domingo, Jesus se depara com uma grande multidão que, diante de uma ausência visual seguem em direção ao Seu encontro. A multidão é um grupo de pessoas que sente que a presença do Cristo é, de fato, a fortaleza e, por isso, buscam sempre.
Há aqui dois movimentos que geraram uma coincidência muito clara. A multidão, que toma a iniciativa pelo encontro, e Jesus, que insere no contexto a compaixão, sobretudo porque no grupo há os que necessitam muito mais do que, uma presença, mas a cura. Vale dizer que da mesma forma com que as pessoas tomaram a decisão do encontro, há um sentimento que representa muito mais do que sentir falta de alguém apenas para estreitar a comunhão, a qual é a compaixão.
Por isso, ser movido por esse sentimento é, ao mesmo tempo, colocar-se no lugar de quem sofre, daquele que imediatamente precisa de alguém que exerça a força da caridade nos momentos de sofrimento. A liturgia deste domingo de agosto é uma observância da concretização da nossa fé que passa antes de tudo pela sensibilidade, pois rezamos e as obras que nos ajudam a rezar melhor.
Na segunda parte do texto, o olhar de quem se sensibiliza não muda devido às circunstâncias do tempo, ou mesmo com o diálogo daqueles que acompanharam Jesus na proximidade. O Evangelho relata uma necessidade humana, que é o alimento que faz com que cada pessoa continue vivendo bem com disposição para realizar as atividades. Os discípulos sentem essa necessidade e buscam com que Jesus também possa priorizar.
Mesmo com a necessidade de alguns, Cristo continua olhando com ternura para a multidão pedindo que o alimento possa chegar a eles sem a necessidade da despedida. Sendo assim Jesus solicita que o alimento seja trazido para perto, para que seja multiplicado. Por meio da ação de Jesus, o alimento foi abundante, a ponto de todos se saciarem. É pelo olhar da compaixão que Jesus se dirige aos que O seguem de perto, também obteve o mesmo horizonte diante da multidão, que poderia inclusive não encontrar as condições possíveis para se alimentar no momento certo.
O texto sagrado nos ajuda a ter esse mesmo olhar, saber que muitos carecem de cuidados que passa antes de tudo pela nossa iniciativa fraterna. Além disso, o Evangelho não se prende a números, mas insere diretamente aqueles que se alimentaram, destacando que o ser humano, na sua totalidade, foi contemplado por Jesus Cristo na ternura e na compaixão.
A liturgia considera, portanto, que o ser humano deve ter a sua dignidade privilegiada, a ponto de cuidarmos uns dos outros para que o alimento seja uma realidade concreta na vida dos irmãos e irmãs.
Pe. Marcelo Lopes de Medeiros
Presbítero da Arquidiocese de Maringá
Pároco da Paróquia São Pedro Apóstolo, em Inajá
Reflexão do Evangelho publicada na Revista Maringá Missão Ed. 319. Agosto/2026




