Somos construtores de um mundo justo e fraterno!

30 de Agosto de 2026

"Somos construtores de um mundo justo e fraterno!"

Ao concluirmos o mês vocacional, lembramos os catequistas. Homens e mulheres que se dedicam a instruir crianças, adolescentes, jovens e adultos no caminho do Senhor, anunciando-lhes a Boa Nova. Como cristãos, somos chamados a construir um mundo novo onde reinam a paz, a justiça e o amor. Instruir as novas gerações para a verdadeira doutrina é dar voz e beleza a vida feita à imagem e semelhança a Deus.

Neste domingo, quando celebramos o Dia Nacional dos Catequistas e concluímos o Mês Vocacional, elevemos nossa gratidão a Deus por todos aqueles que, com generosidade e dedicação, assumem a bela missão de anunciar Jesus Cristo às novas gerações. Os catequistas são verdadeiros discípulos missionários que semeiam a Palavra de Deus nos corações das crianças, dos adolescentes, dos jovens e dos adultos, ajudando-os a encontrar o sentido da vida à luz do Evangelho.

A Palavra de Deus deste domingo ilumina profundamente a vocação catequética. O profeta Jeremias (Jr 20,7-9) experimenta a incompreensão, a perseguição e a calúnia por anunciar a justiça divina. Chega a afirmar que a Palavra do Senhor se tornou para ele motivo de vergonha e zombaria. No entanto, não consegue abandonar sua missão, porque a Palavra arde em seu coração como fogo que não pode ser contido. Assim também acontece com os catequistas: mesmo diante das dificuldades, da indiferença religiosa e dos desafios do mundo atual, perseveram na missão de anunciar a verdade, a justiça e o amor de Deus.

O Salmo 62 nos recorda que a alma humana tem sede do Senhor: “Minha alma tem sede de vós, como a terra sedenta, ó meu Deus”. O catequista é alguém que busca constantemente a Deus para poder conduzir os outros ao encontro com Ele. Ninguém pode transmitir aquilo que não vive. Por isso, a catequese nasce da oração, da escuta da Palavra e da intimidade com o Senhor.

Na Carta aos Romanos (Rm 12,1-2), São Paulo exorta os cristãos a oferecerem suas vidas como “sacrifício vivo, santo e agradável a Deus”. Este é o verdadeiro culto espiritual. A vocação cristã não consiste apenas em palavras, mas em uma vida entregue ao serviço do Reino de Deus. Os catequistas testemunham essa entrega quando dedicam tempo, inteligência, afeto e fé para formar discípulos de Jesus.

No Evangelho de Mateus 16,21-27, Jesus pergunta aos discípulos: “Quem dizeis que eu sou?”. Esta mesma pergunta ressoa continuamente na missão catequética. Toda catequese conduz ao encontro pessoal com Cristo. Após a profissão de fé de Pedro, Jesus anuncia Sua paixão e Sua Cruz, mostrando que a verdadeira vocação passa pela entrega, pelo amor e pelo serviço. Em seguida, convida: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. A vocação é seguimento; é deixar-se transformar por Cristo para ajudar outras pessoas a encontrarem a felicidade verdadeira.

O Papa Leão XIV tem recordado que os catequistas são evangelizadores indispensáveis para a missão da Igreja. Eles não são apenas transmissores de conteúdos, mas testemunhas vivas do encontro com Jesus. Sua missão é formar homens e mulheres capazes de viver a fé, construir a fraternidade e transformar a sociedade segundo os valores do Evangelho. Em um mundo marcado por tantas divisões, os catequistas tornam-se promotores da paz, da justiça, da solidariedade e da esperança.

Que Maria, Mãe da Igreja e primeira discípula missionária, acompanhe todos aqueles que dedicam sua vida ao anúncio do Evangelho.


Artigo semanal do Arcebispo de Maringá, Dom Frei Severino Clasen, OFM

Publicado no Jornal O Maringá, 30.08.2026