Formação permanente do clero fortalece a missão evangelizadora diante dos desafios da cultura digital

30 de Julho de 2026

Formação permanente do clero fortalece a missão evangelizadora diante dos desafios da cultura digital

A Arquidiocese de Maringá promoveu mais uma etapa da formação permanente do clero, reunindo os presbíteros e diáconos para um tempo de estudo, atualização e fraternidade. O encontro teve como tema a cultura digital e a inteligência artificial, refletindo sobre os desafios e as possibilidades que essas transformações apresentam para a evangelização. 

Além do aprofundamento dos conteúdos, a formação permanente favorece a convivência entre o clero, fortalecendo a comunhão e oferecendo novas perspectivas para a missão da Igreja. 

Para o padre Sidney Fabril, responsável intelectual pela formação permanente do clero, a formação é uma dimensão essencial do ministério presbiteral e não se encerra com a ordenação. "Existe a formação permanente, que é fundamental para que continuem se atualizando diante das novas realidades da sociedade e da missão da Igreja. Temas como a cultura digital e a inteligência artificial exigem esse constante aprofundamento. Se o presbítero não acompanha essas transformações, corre o risco de oferecer respostas antigas para problemas novos, que já não correspondem às necessidades das pessoas." 

Convidado para assessorar a formação, o professor Moisés Sbardelotto, pesquisador da cultura digital e da comunicação na Igreja, destacou que conhecer as novas tecnologias é o primeiro passo para utilizá-las de forma consciente e responsável na ação pastoral. 

"O primeiro ponto é conhecer essa cultura e essas tecnologias. Muitas vezes falamos de coisas que não conhecemos e tomamos decisões sem compreender essas realidades. É importante que o clero conheça as potencialidades da inteligência artificial, mas também reconheça seus limites. Ela não é Deus e não resolve tudo, embora possa contribuir muito na organização de dados, informações e processos da vida pastoral." 

Segundo o professor, a reflexão proposta pela Igreja vai além do uso técnico das ferramentas e envolve questões profundamente humanas. Inspirada pelo Magistério, a Igreja é chamada a discernir criticamente os impactos da inteligência artificial, preservando sempre a dignidade da pessoa humana. 

Sbardelotto também alertou para a necessidade de discernimento diante das respostas produzidas pelos sistemas de inteligência artificial. "Tudo o que é produzido pela inteligência artificial precisa passar pelo nosso discernimento. Nem toda resposta é correta, porque esses sistemas também podem produzir informações equivocadas ou estabelecer relações sem fundamento. Por isso, é importante comparar fontes, verificar as informações e nunca confiar cegamente naquilo que a tecnologia apresenta." 

Ao mesmo tempo, ele recordou que nenhuma tecnologia pode substituir aquilo que constitui o coração da missão da Igreja. "As pessoas procuram sentido para a vida, acolhimento e uma experiência de fé. As máquinas podem oferecer informações, mas não respondem às questões mais profundas da existência humana. Nesse contexto, o papel dos presbíteros e das comunidades torna-se ainda mais importante, ajudando crianças, jovens e adultos a viverem a cultura digital de forma consciente, crítica e iluminada pelo Evangelho." 

Ao promover momentos como este, a Arquidiocese de Maringá reafirma seu compromisso com a formação permanente do clero, oferecendo aos presbíteros oportunidades de aprofundar o conhecimento, dialogar com os desafios do mundo contemporâneo e fortalecer sua missão de anunciar Cristo em uma sociedade em constante transformação.