Nota orientativa sobre a participação de leigos em candidaturas eleitorais

12 de Agosto de 2026

Nota orientativa sobre a participação de leigos em candidaturas eleitorais


“A política é uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum.” 

Papa Francisco - Evangelii Gaudium, n. 228 


A Igreja reconhece e valoriza a participação dos fiéis leigos na vida pública. Pelo Batismo, eles são chamados a transformar o mundo à luz do Evangelho, ajudando a construir uma sociedade mais justa e fraterna. 

O Documento 105 da CNBB, Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade, recorda que os leigos não são meros colaboradores, mas sujeitos ativos, chamados a ser "sal da terra e luz do mundo" (Mt 5,13-14). A atuação política, quando vivida como serviço ao bem comum, é uma expressão autêntica da vocação cristã. 

Diante do período eleitoral, a Arquidiocese de Maringá orienta: 

1. Afastamento e permanência nas atividades pastorais 

O Direito Canônico não exige que os leigos sejam afastados automaticamente das funções pastorais quando se candidatam. Por isso, a Arquidiocese não estabelece essa regra. A decisão sobre um eventual afastamento temporário será tomada em cada paróquia, em conversa entre o pároco e o candidato, pensando sempre no bem da comunidade. O leigo candidato poderá continuar exercendo seus serviços, desde que não use os espaços, celebrações ou meios de comunicação da Igreja para fazer campanha ou pedir votos. 

2. Proibição do uso de espaços e meios da Igreja 

É proibido usar ou ceder igrejas, capelas, salões, centros pastorais ou qualquer meio de comunicação oficial da Arquidiocese (sites, redes sociais, grupos, boletins, rádios) para promover ou apoiar candidatos, partidos ou campanhas. Essa proibição está de acordo com a Lei Eleitoral (nº 9.504/1997), que veda propaganda política dentro de templos religiosos. 

3. Cuidado com as informações nas redes 

A Arquidiocese alerta para os riscos da desinformação, da manipulação de imagens e vídeos com inteligência artificial e do compartilhamento de notícias falsas. Antes de repassar qualquer conteúdo, o cristão tem o dever de verificar a origem e buscar fontes confiáveis. A Arquidiocese também se alinha às orientações da AGU e do TSE sobre o uso responsável da inteligência artificial e o combate à desinformação durante o período eleitoral. Assim, contribuímos para um ambiente de respeito, verdade e diálogo. 

4. Preservar a unidade da comunidade 

Toda a comunidade eclesial deve cuidar da unidade, evitando que os espaços de evangelização se tornem lugares de briga político-partidária. A missão da Igreja é anunciar o Evangelho e formar consciências, respeitando a liberdade de cada fiel na hora de votar. 

Que Nossa Senhora da Glória nos ajude neste tempo de eleições, para que todos os cristãos sejam promotores da paz, da verdade e do bem comum, testemunhando, também na vida pública, os valores do Evangelho. 


Maringá, 12 de agosto de 2026.


Dom Frei Severino Clasen, OFM 

Arcebispo Metropolitano de Maringá